Os limites do corpo humano como tema ou objeto nas artes

O corpo humano sempre foi alvo do conteúdo artístico e da atividade criativa na história da humanidade. Isto se dá pelo homem encontrar-se inserido na realidade do corpo; ele o experimenta porquê de fato ele é um espírito; uma psique; uma realidade experimentada sob duas formas. O corpo é capaz de tornar visível o que é invisível: o espiritual e o divino. Além disso, através do corpo o homem é conhecido e identificado em meio a milhões de outros corpos. Parece-nos então que a realidade corpórea revela em nós atributos mais do que físicos, contudo também espirituais. Sabe-se que nossa essência ou nossas intenções não podem ser conhecidas, porém o nosso corpo pode.

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Imagem retirada do Google

O corpo pode ser visto em diversas perspectivas ao longo do pensamento humano sejam elas como cárcere, instrumento, extensão ou dom. Observamos que o corpo é perene objeto de cultura ao longo das décadas. Pensemos na beleza encontrada no Davi de Michelangelo ou na perfeição das estátuas de Giovanni Strazza. Na era da Pós-Razão, nos defrontamos com atrocidades ao Belo por nomes como Erwin Wurm ou na polêmica performance “La bête” recentemente apresentada no MAM de São Paulo. Nestes últimos tempos é possível que tomemos conhecimento de verdadeiras e inúmeras corrupções de costumes por meio da difusão dos meios de comunicação social. No caso “La bête”, é necessário reconhecer que se trata do corpo objetivado, fora de sua identidade ontológica. Qual seria então o limite ético para que o corpo fosse utilizado como tema das artes? É possível colocar ao mesmo nível o corpo humano no âmbito teatral ou da dança, do corpo no nível das artes plásticas (pintura, escultura) ou visuais (cinema)?
Necessariamente precisaríamos entender que uma coisa é o corpo humano vivo que de per si cria o objeto de arte, e outra coisa é a obra de arte em si mesma. A objetificação artística do corpo humano em sua nudez (seja masculina ou feminina) com a finalidade de o fazer modelo, e posteriormente obra de arte, desqualifica o significado do corpo e a configuração original específica da intimidade pessoal. O corpo humano quando perde o seu significado subjetivo de dom, torna-se objeto destinado a um múltiplo conhecimento. Do mesmo modo, quando a intimidade pessoal é violada, ultrapassa-se o limite do pudor. Atualmente tornou-se mais do que necessário reforçar que a verdade sobre o Homem e precisamente sobre a intimidade do seu corpo e do seu sexo (masculino ou feminino) é de esfera particularmente pessoal e interior. Para nós, o corpo é manifestação da pessoa e desta como dom.
Apresentamos a seguinte pergunta: “Quando e em que caso a esfera de atividade artística do Homem é acusada de ‘pornovisão’ ou ‘pornografia’”? São João Paulo II afirma que ocorre quando é ultrapassado o limite do pudor, ou seja, da sensibilidade pessoal a respeito do que se liga com o corpo humano, com a sua nudez, quando, na obra artística é violado o direito à intimidade do corpo na sua masculinidade ou feminilidade. Este limite pode ser ultrapassado pelo artista de forma acidental ou intencional. Nem o artista nem outros tem o direito de determinar, propor ou fazer com que outros homens violem estes limites juntamente com ele ou por causa deles. Sabemos que o método de violação do pudor corpóreo é conscientemente usado para destruir a sensibilidade (intimidade) pessoal e o sentimento da dignidade humana. Portanto, é inaceitável toda e qualquer situação que possa induzir, estimular ou mesmo constranger o Homem a proceder contrariamente à dignidade do corpo humano e de sua intimidade.
Sendo assim, reforçamos que na esfera das artes deve-se observar de forma consciente a plena verdade sobre a corporeidade: o corpo humano não é uma coisa. Este possui toda uma escala de valores intrinsecamente relacionados à dignidade da pessoa. Enquanto educadores, homens e mulheres de boa vontade, jamais poderemos ficar indiferentes à cultura da objetificação do corpo por motivo do caráter eloquente e valorativo da pessoa humana. Contudo, é preciso ter prudência ao tratarmos do tema junto as crianças e adolescentes afim de que mesmo em meio às diversas ofensas à dignidade pessoal, construamos um clima favorável à castidade.

(Texto: Magno Maciel)

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Aconteceu | Mulher: beleza e mistério

Faixa - Mulher beleza e mistério - Blog Teologia do Corpo

No dia 07 de Outubro, para comemorar o mês rosa, tivemos um encontro especial com duas especialistas em cuidado e beleza da mulher, Andrea Vietos e Paula Serman. Nosso evento “Mulher: beleza e mistério” aconteceu em um lugar especial e adorado pelas mulheres na Capela São Judas Tadeu, no Carioca Shopping. Na primeira parte do encontro, com a médica Andrea, conversamos como a saúde da mulher e sobre o seu desenvolvimento sexual, como é importante ter atenção com a sexualidade feminina desde pequena. O segundo momento foi com a médica da beleza, Paula Serman (consultora de moda), que nos ensinou sobre a beleza feminina, como o belo é importante para o ser humano e sua descoberta pessoal com a moda. Foi uma manhã muito especial.

Agradecemos a todas que participaram e esperem pela próxima edição!

(Texto: Jessica Maria Marques Rabello)

 


Algumas fotos do evento!
Capela

Essa é a capela São Judas Tadeu do Carioca Shopping

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Bate-papo com a Dra. Andrea Vietos

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Pate-papo com a Dra. Paula Serman – Consultora de Imagem

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As belíssimas mulheres que participaram do encontro!

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As belíssimas mulheres que participaram do encontro!

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Por que a Igreja é tão obcecada por sexo?

A sexualidade não é somente algo biológico, mas diz respeito à essência da pessoa humana. A mais profunda verdade sobre a sexualidade revela a mais profunda verdade sobre a vida. Por isso o assunto é tão urgente.
O desejo sexual nos foi dado por Deus como um instinto ao amor que leva à vida. Mas quando amor e vida são dissociados, aparece o instinto à luxúria, que leva à morte. As desordens sexuais são como a “caixa de Pandora” que libera todos os maus sociais: a miséria das famílias sem pais, a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis, recém-nascidos abandonados em lixeiras, os crescentes índices de violência entre os adolescentes… O comportamento dos casamentos é um reflexo do comportamento sexual. A situação das famílias é um reflexo da situação dos casamentos. As atitudes da sociedade são reflexos das atitudes das famílias. A vida humana, sua dignidade e equilíbrio dependem do ordenamento do amor entre os sexos.
A Igreja pode ser considerada obcecada por sexo se isso significa sua luta em construir a civilização amor através da verdade sobre a nossa sexualidade.

(Tradução livre realizada por Tatiana Melo baseada em trecho do livro homônimo: Good News About Sex and Marriage – Answers to Your Honest Questions About Catholic Teaching, de Christopher West, 2004)

Não é irônico que celibatários ditem regras de moral sexual para os outros? O que eles sabem sobre sexo?

Em primeiro lugar, o Papa e os bispos não ditam a moralidade sexual, eles testemunham a revelação divina, através da autoridade que lhes foi dada pelo próprio Cristo. Em segundo lugar, a mensagem que eles transmitem não é sua, mas de Deus. Deus criou o sexo. Ele sabe por que e para que ele o criou e como ele pode trazer grande alegria quando é respeitado e desgraça quando é abusado. Em terceiro lugar, quem acha que celibatários não entendem nada sobre o assunto nunca leu os escritos de João Paulo II. É possível aprender mais sobre a natureza, a beleza e o significado do sexo com este “velho celibatário” do que com qualquer outra pessoa: a mente iluminada de um homem que mergulhou fundo na sua própria humanidade e descobriu centelhas do divino.

(Tradução livre realizada por Tatiana Melo baseada em trecho do livro homônimo: Good News About Sex and Marriage – Answers to Your Honest Questions About Catholic Teaching, de Christopher West, 2004)

A Igreja não deveria se meter apenas com religião e deixar pra lá o que acontece “entre quatro paredes”?

Quando a Igreja fala sobre sexo, ela está, sim, se “metendo com religião”. O sexo é um evento religioso. De acordo com João Paulo II, quando falamos do “grande sinal” do sacramento do matrimônio nos referimos a toda a obra da criação e da redenção: “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?” (I Cor 6,15). O sexo é sagrado. A alegria do sexo – o orgasmo – representa a alegria de amar como Deus ama, prefigura o gozo do céu, a eterna consumação do casamento entre Cristo e sua Igreja (cf. Jo 15,10-11).
Ao se tornarem “uma só carne”, os esposos estabelecem entre si e com sua família uma igreja doméstica, ou seja, uma Igreja em miniatura.

(Tradução livre realizada por Tatiana Melo baseada em trecho do livro homônimo: Good News About Sex and Marriage – Answers to Your Honest Questions About Catholic Teaching, de Christopher West, 2004)

Por que está tão difundida a ideia de que o sexo para a Igreja é ago negativo?

Essa “negatividade sexual” não está restrita ao universo religioso, mas é um fenômeno universal. Basta lembrar, por exemplo, de todos os palavrões que existem… todos têm conotação corporal, sexual ou genital. Some-se a isso, o fato de que tradicionalmente aqueles que seguiam Jesus optavam pelo celibato “por causa do Reino” (Mt 19, 12) e eram considerados mais santos. Isso acabou levando a um mal-entendido generalizado, rebaixando a condição dos que optavam pelo matrimônio. O pensamento era: se a virgindade é tão boa, então o sexo deve ser ruim. Se o celibato leva à santidade, então as relações sexuais nos fazem sujos, impuros.
Ora, se o sexo é um presente de Deus para o homem e a mulher, como expressão de seu amor, fazer dele um dom em ação de graças é uma verdadeira eucaristia. Seu valor inerente é, sem dúvida, frágil, extremamente frágil, mas nunca mau.
Mais uma vez, tracemos um paralelo com o sacramento da Eucaristia. O fato de a Igreja ter toda uma moral sobre quem pode receber ou não a Eucaristia e não quer dizer que seus ensinamentos sejam “negativos”. Para quem quer entender melhor a doutrina da Igreja sobre a sexualidade, nada melhor do que buscar os ensinamentos de João Paulo II que escreveu mais de dois terços de tudo o que a Igreja já pronunciou oficialmente sobre sexo.

(Tradução livre realizada por Tatiana Melo baseada em trecho do livro homônimo: Good News About Sex and Marriage – Answers to Your Honest Questions About Catholic Teaching,de Christopher West, 2004)

Moral não é uma questão de consciência?

A Igreja sempre ensinou que nós devemos seguir nossa consciência. Mas ensina também que é preciso formar a consciência a partir da Verdade. A consciência não está livre que querer inventar o que é certo ou errado. Por isso mesmo, a Igreja ensina que a  consciência é chamada a descobrir a Verdade e realizar seus julgamentos nessa óptica.

Todos nós já nascemos com uma lei moral básica escrita por Deus em nossos corações, mas o pecado original pode turvar nossos julgamentos. Muitas vezes usamos a consciência para justificar o que queremos fazer e não para discernir o certo do errado. Pense só: se a consciência de cada indivíduo for autônoma para definir o beme o mal, então a moralidade passa a ser aquilo que eu quero que seja. É preciso que haja padrões objetivos que todos devam seguir. Só encontraremos a paz e a verdadeira felicidade quando assumirmos a vontade de Deus para a nossa vida. Essa é a conversão do coração da qual todos nós precisamos.

Nós não somos livres para fazer nossas escolhas? Por que a Igreja não para de impor seus ensinamentos?
Sim, nós somos absolutamente livres, por isso mesmo, a Igreja não impõe, mas propõe seus ensinamentos sobre o verdadeiro amor. Apesar de só Deus poder julgar os corações, nós podemos observar e julgar certos comportamentos. A Igreja estaria traindo Deus e a humanidade se não se mantivesse firme quanto à vontade de Deus enquanto um padrão objetivo para todos. Condenar o comportamento não significa condenar a pessoa, mas
convocá-la a aderir à verdade sobre o amor.

(Tradução livre realizada por Tatiana Melo baseada em trecho do livro homônimo: Good News About Sex and Marriage – Answers to Your Honest Questions About Catholic Teaching, de Christopher West, 2004)