Ballet: masculinidade e feminilidade em cena

“Convido-vos a descobrir a profundeza da dimensão espiritual e religiosa que sempre caracterizou a arte nas suas formas expressivas mais nobres.”

(São João Paulo II)1[i]

 

O ballet é uma arte expressa pela linguagem do corpo. Não são necessárias expressões verbais para que se compreenda um ballet clássico. Os corpos encenam, transmitem sentimentos e emoções. Leveza, harmonia e simetria são marcantes na dança onde atuam mulheres e homens. Sim! Onde também atuam homens. E por que ballet não pode ser também local de homens? O que haveria de errado nisso? É preciso refletir… Voltemos ao princípio do ballet clássico.

O ballet nasceu por volta de 1400 na corte europeia e era uma dança apenas de homens. Nesse período quem dançava ballet era referenciado como alguém de alto padrão, de destaque social, um bom e educado homem. As mulheres, por sua vez, só tiveram local na dança quase 300 anos mais tarde. E só depois de muito tempo é que as mulheres ganharam destaque nos palcos.

Ao contrário do que muitos dizem, o ballet não dá ao homem características femininas e sim realça tanto em cena com em sala de aula traços peculiares da masculinidade.

É importante ressaltar que, tanto para homens como para mulheres, o ballet desenvolve uma profunda consciência corporal. O ballet propicia equilíbrio, autoconhecimento, confiança, flexibilidade, resistência, disposição física, respiração, emagrecimento, definição muscular… Faz muito bem para saúde e bem-estar. Motivos esses que fazem hoje não só crianças, mas muitos adultos procurarem o ballet, não apenas para realizar uma atividade física, mas como meio de atingir um melhor desempenho em outra atividade que já praticam. Lutadores, atores e artistas de circo são alguns dos profissionais que encontram no ballet meios de se desenvolverem em suas carreiras.

Os movimentos diferentes executados por homens e mulheres são um traço marcante do uso do corpo no ballet, valorizando a corporeidade feminina e masculina. Nossos corpos são diferentes e o ballet explora com maestria a valorização dessas diferenças. Só quem se dedica a essa dança sabe no dia-a-dia como as mulheres tem uma dificuldade maior de fazer passos típicos de homens e vice-versa. Como por exemplo, temos os grandes saltos, característicos dos homens, que por terem uma musculatura mais forte nas pernas possuem mais capacidade de desenvolve-los.

Outro ponto a se ressaltar é a definição muscular adquirida pelas bailarinas e bailarinos. As mulheres tendem a ter um corpo bem definido e suave, enquanto os homens adquirem uma musculatura mais definida e robusta, características de sua corporeidade. Essas diferenças demonstram o quanto a arte do ballet é equilibrada e valoriza a nossa essência, ressaltando a lei natural da criação. O papa Paulo VI, na encíclica Humanae Vitae, afirma que a lei natural “é igualmente expressão da vontade divina e que a sua observância é do mesmo modo necessária para a salvação”[ii].

Saindo das salas de aula, partimos agora para o ponto de contato de muitos com essa arte: o palco. Conforme mencionado aqui no início, o ballet é uma arte onde os corpos se expressam. Sabemos que somos um corpo e é por meio dele que podemos amar e ser sinal da graça para muitos. “O homem encontra-se com a realidade do corpo e experimenta o corpo também quando este se torna tema da atividade criativa, obra de arte e conteúdo da cultura. Em princípio, é necessário reconhecer que este contato se dá no plano da experiência estética, em que se trata de contemplar a obra de arte.” (São João Paulo II)[iii].   Ao vermos um espetáculo de ballet, observamos pessoas que por meio de seus corpos nos transmitem uma mensagem. Essa mensagem só nos edifica se for expressão da verdade. Suavidade, movimentos “impossíveis”, equilíbrio, determinação: não há como não ver e louvar a Deus ali pela beleza da criação. “Vivendo e agindo é que o homem estabelece a sua relação com o ser, a verdade e o bem. O artista vive numa relação peculiar com a beleza. Pode-se dizer, com profunda verdade, que a beleza é a vocação a que o Criador o chamou com o dom do  talento artístico “ (São João Paulo II)[iv].

No palco são apresentadas histórias, onde homens e mulheres desempenham papeis distintos. Muitos dos maiores clássicos do ballet possuem aquele pano de fundo romântico. O auge do espetáculo costuma ser o chamado pas de deux (do francês, ‘passo de dois’). É o momento onde um homem e uma mulher se encontram para dançar juntos. Nesse momento fica em evidência o ser masculino e o ser feminino, com suas particularidades e diferenças, realça-se a verdade dita em Gêneses de que Deus nos fez homens e mulheres e viu que tudo isso era muito bom. Durante o pas de deux o homem sustenta a mulher, conduzindo-a e permitindo que a mesma execute os movimentos adquirindo destaque (como o amado que tem a missão de conduzir sua amada a perfeição, fazendo o que for necessário para que ela chegue ao paraíso). A mulher, por sua vez, com o apoio do homem, exprime toda a sua graciosidade, como obra prima da criação divina (que com sua graça, sentindo-se amada e transbordando amor, também é imbuída da missão de conduzir o homem ao céu).

O ballet revela claramente o significado esponsal do corpo, com passos e ações específicos para cada um dos sexos. Dessa forma evidencia que nós não nos bastamos em nós mesmos, mas nos realizamos plenamente sendo junto e para o outro.  “No mistério da criação, o homem e a mulher foram dados pelo Criador, de modo particular, um ao outro, isto não só na dimensão daquele primeiro casal humano e daquela primeira comunhão de pessoas, mas em toda a perspectiva da existência do gênero humano e da família humana. O fato fundamental desta existência do homem em todas as etapas da sua história é que Deus os criou homem e mulher; de fato, sempre os cria deste modo e sempre assim são. A compreensão dos significados fundamentais, encerrados no mistério mesmo da criação, como o significado esponsal do corpo (e dos fundamentais condicionamentos de tal significado), é importante e indispensável para conhecer quem é o homem e quem deve ser, e portanto como deveria modelar a própria atividade” (São João Paulo II)[v].

(Texto: Aline Pessôa da Ascenção Alcoforado)

(Imagem:  blog 5seis7oito)

 

[i] Carta aos artistas (1999)

[ii] Enciclíca Humanae Vitae (1968)

[iii] Catequese Teologia do Corpo  (15/04/1981)

[iv] Carta aos artistas (1999)

[v] Catequese Teologia do Corpo (13/02/1980)

Radicar-se no Amor: a exposição do Cor in Rio

Hoje trazemos uma grande novidade: o Cor in Rio, o evento mais esperado do ano, contará com uma exposição intitulada Radicar-se no Amor!

A exposição acontecerá no dia 15 de setembro de 2018 no Centro de Convenções Windsor Barra durante o seminário Cor in Rio. A mostra contará com expressões artísticas variadas, como desenho, pintura, arte gráfica, gravura, escultura, poema, composição musical, fotografia, vídeo arte, dentre outras. Uma das obras exibidas pode ser a sua. Clique no link e consulte o regulamento:

Regulamento Exposição Cor in Rio

O que? Você ainda não fez a sua inscrição para o Cor in Rio? Clique aqui e garanta a sua vaga.

 

Os limites do corpo humano como tema ou objeto nas artes

O corpo humano sempre foi alvo do conteúdo artístico e da atividade criativa na história da humanidade. Isto se dá pelo homem encontrar-se inserido na realidade do corpo; ele o experimenta porquê de fato ele é um espírito; uma psique; uma realidade experimentada sob duas formas. O corpo é capaz de tornar visível o que é invisível: o espiritual e o divino. Além disso, através do corpo o homem é conhecido e identificado em meio a milhões de outros corpos. Parece-nos então que a realidade corpórea revela em nós atributos mais do que físicos, contudo também espirituais. Sabe-se que nossa essência ou nossas intenções não podem ser conhecidas, porém o nosso corpo pode.

images (4)

Imagem retirada do Google

O corpo pode ser visto em diversas perspectivas ao longo do pensamento humano sejam elas como cárcere, instrumento, extensão ou dom. Observamos que o corpo é perene objeto de cultura ao longo das décadas. Pensemos na beleza encontrada no Davi de Michelangelo ou na perfeição das estátuas de Giovanni Strazza. Na era da Pós-Razão, nos defrontamos com atrocidades ao Belo por nomes como Erwin Wurm ou na polêmica performance “La bête” recentemente apresentada no MAM de São Paulo. Nestes últimos tempos é possível que tomemos conhecimento de verdadeiras e inúmeras corrupções de costumes por meio da difusão dos meios de comunicação social. No caso “La bête”, é necessário reconhecer que se trata do corpo objetivado, fora de sua identidade ontológica. Qual seria então o limite ético para que o corpo fosse utilizado como tema das artes? É possível colocar ao mesmo nível o corpo humano no âmbito teatral ou da dança, do corpo no nível das artes plásticas (pintura, escultura) ou visuais (cinema)?
Necessariamente precisaríamos entender que uma coisa é o corpo humano vivo que de per si cria o objeto de arte, e outra coisa é a obra de arte em si mesma. A objetificação artística do corpo humano em sua nudez (seja masculina ou feminina) com a finalidade de o fazer modelo, e posteriormente obra de arte, desqualifica o significado do corpo e a configuração original específica da intimidade pessoal. O corpo humano quando perde o seu significado subjetivo de dom, torna-se objeto destinado a um múltiplo conhecimento. Do mesmo modo, quando a intimidade pessoal é violada, ultrapassa-se o limite do pudor. Atualmente tornou-se mais do que necessário reforçar que a verdade sobre o Homem e precisamente sobre a intimidade do seu corpo e do seu sexo (masculino ou feminino) é de esfera particularmente pessoal e interior. Para nós, o corpo é manifestação da pessoa e desta como dom.
Apresentamos a seguinte pergunta: “Quando e em que caso a esfera de atividade artística do Homem é acusada de ‘pornovisão’ ou ‘pornografia’”? São João Paulo II afirma que ocorre quando é ultrapassado o limite do pudor, ou seja, da sensibilidade pessoal a respeito do que se liga com o corpo humano, com a sua nudez, quando, na obra artística é violado o direito à intimidade do corpo na sua masculinidade ou feminilidade. Este limite pode ser ultrapassado pelo artista de forma acidental ou intencional. Nem o artista nem outros tem o direito de determinar, propor ou fazer com que outros homens violem estes limites juntamente com ele ou por causa deles. Sabemos que o método de violação do pudor corpóreo é conscientemente usado para destruir a sensibilidade (intimidade) pessoal e o sentimento da dignidade humana. Portanto, é inaceitável toda e qualquer situação que possa induzir, estimular ou mesmo constranger o Homem a proceder contrariamente à dignidade do corpo humano e de sua intimidade.
Sendo assim, reforçamos que na esfera das artes deve-se observar de forma consciente a plena verdade sobre a corporeidade: o corpo humano não é uma coisa. Este possui toda uma escala de valores intrinsecamente relacionados à dignidade da pessoa. Enquanto educadores, homens e mulheres de boa vontade, jamais poderemos ficar indiferentes à cultura da objetificação do corpo por motivo do caráter eloquente e valorativo da pessoa humana. Contudo, é preciso ter prudência ao tratarmos do tema junto as crianças e adolescentes afim de que mesmo em meio às diversas ofensas à dignidade pessoal, construamos um clima favorável à castidade.

(Texto: Magno Maciel)

Aconteceu | Mulher: beleza e mistério

Faixa - Mulher beleza e mistério - Blog Teologia do Corpo

No dia 07 de Outubro, para comemorar o mês rosa, tivemos um encontro especial com duas especialistas em cuidado e beleza da mulher, Andrea Vietos e Paula Serman. Nosso evento “Mulher: beleza e mistério” aconteceu em um lugar especial e adorado pelas mulheres na Capela São Judas Tadeu, no Carioca Shopping. Na primeira parte do encontro, com a médica Andrea, conversamos como a saúde da mulher e sobre o seu desenvolvimento sexual, como é importante ter atenção com a sexualidade feminina desde pequena. O segundo momento foi com a médica da beleza, Paula Serman (consultora de moda), que nos ensinou sobre a beleza feminina, como o belo é importante para o ser humano e sua descoberta pessoal com a moda. Foi uma manhã muito especial.

Agradecemos a todas que participaram e esperem pela próxima edição!

(Texto: Jessica Maria Marques Rabello)

 


Algumas fotos do evento!
Capela

Essa é a capela São Judas Tadeu do Carioca Shopping

Mulher - B&M 5

Bate-papo com a Dra. Andrea Vietos

Mulher - B&M 6

Pate-papo com a Dra. Paula Serman – Consultora de Imagem

Mulher - B&M 3

As belíssimas mulheres que participaram do encontro!

Mulher - B&M 2

As belíssimas mulheres que participaram do encontro!

Mulher - B&M

Tamyris e Jéssica com o nosso Banner TdC!

Por que a Igreja é tão obcecada por sexo?

A sexualidade não é somente algo biológico, mas diz respeito à essência da pessoa humana. A mais profunda verdade sobre a sexualidade revela a mais profunda verdade sobre a vida. Por isso o assunto é tão urgente.
O desejo sexual nos foi dado por Deus como um instinto ao amor que leva à vida. Mas quando amor e vida são dissociados, aparece o instinto à luxúria, que leva à morte. As desordens sexuais são como a “caixa de Pandora” que libera todos os maus sociais: a miséria das famílias sem pais, a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis, recém-nascidos abandonados em lixeiras, os crescentes índices de violência entre os adolescentes… O comportamento dos casamentos é um reflexo do comportamento sexual. A situação das famílias é um reflexo da situação dos casamentos. As atitudes da sociedade são reflexos das atitudes das famílias. A vida humana, sua dignidade e equilíbrio dependem do ordenamento do amor entre os sexos.
A Igreja pode ser considerada obcecada por sexo se isso significa sua luta em construir a civilização amor através da verdade sobre a nossa sexualidade.

(Tradução livre realizada por Tatiana Melo baseada em trecho do livro homônimo: Good News About Sex and Marriage – Answers to Your Honest Questions About Catholic Teaching, de Christopher West, 2004)

Não é irônico que celibatários ditem regras de moral sexual para os outros? O que eles sabem sobre sexo?

Em primeiro lugar, o Papa e os bispos não ditam a moralidade sexual, eles testemunham a revelação divina, através da autoridade que lhes foi dada pelo próprio Cristo. Em segundo lugar, a mensagem que eles transmitem não é sua, mas de Deus. Deus criou o sexo. Ele sabe por que e para que ele o criou e como ele pode trazer grande alegria quando é respeitado e desgraça quando é abusado. Em terceiro lugar, quem acha que celibatários não entendem nada sobre o assunto nunca leu os escritos de João Paulo II. É possível aprender mais sobre a natureza, a beleza e o significado do sexo com este “velho celibatário” do que com qualquer outra pessoa: a mente iluminada de um homem que mergulhou fundo na sua própria humanidade e descobriu centelhas do divino.

(Tradução livre realizada por Tatiana Melo baseada em trecho do livro homônimo: Good News About Sex and Marriage – Answers to Your Honest Questions About Catholic Teaching, de Christopher West, 2004)

A Igreja não deveria se meter apenas com religião e deixar pra lá o que acontece “entre quatro paredes”?

Quando a Igreja fala sobre sexo, ela está, sim, se “metendo com religião”. O sexo é um evento religioso. De acordo com João Paulo II, quando falamos do “grande sinal” do sacramento do matrimônio nos referimos a toda a obra da criação e da redenção: “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?” (I Cor 6,15). O sexo é sagrado. A alegria do sexo – o orgasmo – representa a alegria de amar como Deus ama, prefigura o gozo do céu, a eterna consumação do casamento entre Cristo e sua Igreja (cf. Jo 15,10-11).
Ao se tornarem “uma só carne”, os esposos estabelecem entre si e com sua família uma igreja doméstica, ou seja, uma Igreja em miniatura.

(Tradução livre realizada por Tatiana Melo baseada em trecho do livro homônimo: Good News About Sex and Marriage – Answers to Your Honest Questions About Catholic Teaching, de Christopher West, 2004)